Uma andorinha só não faz verão e de grão em grão a galinha enche o papo. Quem nunca ouviu estas frases? Sinceramente acredito que nós podemos muito mais do que acreditamos e que juntos poderemos ainda mais. Seja na educação dos filhos, geração de renda, respeito mútuo ou reciclagem do lixo. Não importa onde nossa ação aconteça, importa que aconteça.

Estou literalmente colando aqui a postagem que encontrei com o único intuito de tentar preserva-la. Ficam os créditos para o autor que trouxe alegria para meu coração ao conhecer mais Gente Que Faz.

Sintam-se convidados a fazer e a compartilhar aqui os feitos que tropeçarem pelo caminho. Basta uma frase, uma foto. Se você sabe, conhece ou é uma pessoa que faz acontecer, por favor, conte pra gente!!! Pode escrever nos comentários desta postagem ok? Abraços.

Vamos a notícia:

12 vezes em que a população não dependeu do governo para fazer grandes obras públicas

 

 

Criar um município no Brasil pode ser também um negócio, e dos mais rentáveis. Desde que a Constituição Federal de 1988 definiu os municípios como entes federativos, dando a eles obrigações e garantindo receitas, o número de municípios no país não para de crescer. Apenas nos 15 primeiros anos que se seguiram à Constituição, por exemplo, foram criados1.406 municípios Brasil afora, número 9 vezes maior que nos 15 anos anteriores à Constituição. O motivo de tamanha euforia emancipacionista não é difícil entender, e pode ser traduzido em 3 letras: FPM, ou Fundo de Participação dos Municípios. Segundo o IBGE, 57,3% dos municípios sobrevive graças as transferências do fundo.

Graças a brechas nas leis, políticos de localidades menores tendem a se beneficiar com práticas emancipacionistas, ainda que elas não tenham nenhum propósito claro. Seguindo os critérios de distribuição dos mais de R$ 68 bilhões anuais repassados pelo FPM, 3 municípios que se situem na faixa de 5 mil habitantes receberiam somados 50% a mais do que um único município situado na faixa de 15 mil habitantes.

Some a isto as exigências de que cada município tenha uma Câmara de Vereadores e uma estrutura legislativa que a comporte, e o número de vereadores no país já passa dos 53 mil. No mesmo exemplo, 3 cidades com 5 mil habitantes teriam de ter, segundo a Constituição, 9 vereadores cada, ou 27 no total, contra 11 vereadores exigidos em uma cidade de 15 mil habitantes. Colocando na ponta do lápis, a exigência de que até 5% da receita dos municípios seja destinada exclusivamente para manter vereadores, e ao todo, gastamos quase R$ 10 bilhões apenas com a manutenção deste tipo de serviço.

Com as contas fora de ordem e gastos pouco efetivos96,4% dos municípios brasileiros, ou pouco mais de 5.400 deles, estão proibidos de firmar convênios com o governo federal, seja por não prestarem contas corretamente, seja por estarem ferindo limites de gastos estabelecidos em lei. Na prática, tal proibição impede esses municípios de buscarem recursos para reformar escolas, postos, estradas ou realizar obras emergenciais.

Convertidos em meros pagadores de salários para um crescente contingente de funcionalismo público, que já chega a 6,3 milhões de pessoas, a imensa maioria dos municípios brasileiros se destaca pela morosidade com que atende os anseios da população. Obras de asfaltamento, limpeza urbana, construção de pontes, estradas vicinais, conjuntos habitacionais e outras obras tipicamente tocadas por prefeituras, são deixadas de lado, para fazer frente ao gasto com pessoal – que, em média, chega a 48,8% de tudo o que uma prefeitura brasileira gasta. Na outra metade, se situam todos os gastos com saúde, educação, segurança e todas as outras obrigações.

Sem poder esperar pela boa vontade de seus governantes, inúmeros brasileiros decidiram que era hora de agir e fazer por si mesmos obras de grande impacto em suas comunidades. Abaixo listamos 7 delas. Em tempos de crise, bons exemplos nunca são demais.

O governo dizia que ela custava R$ 270 mil. Mas a população só precisou de R$ 5 mil para levantá-la.

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Com quase duas décadas de espera, as comunidades de Nova Esperança e São Luiz, em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, cansaram de esperar pela ação do poder público – que, ao menos em tese, deveria construir uma ponte ligando as duas regiões, ajudando a evitar que os moradores tivessem de se deslocar alguns quilômetros. Sem resposta das autoridades locais, no entanto, as comunidades se uniram em torno do projeto. E a ponte foi colocada de pé em apenas um mês.

Segundo a prefeitura, construir a ponte demandaria recursos de R$ 270 mil, algo inviável para o orçamento do município. Pela iniciativa das donas de casa Juracy da Conceição e Manoelina dos Santos, no entanto, a comunidade decidiu colocar a ponte de pé e, envolvendo cerca de 130 pessoas, direta ou indiretamente, levantou R$ 5 mil, valor suficiente para a construção.

Segundo ambas as moradoras, a ausência de pontes antes era compensada por passarelas improvisadas, feitas de madeira. Como apenas um dos dois lados possui posto de saúde para atendimento médico e retirada de remédios, os inúmeros moradores da localidade se aventuravam na travessia, mesmo com as más condições.

A mão de obra empregada foi a da própria comunidade, que colocou a ponte de pé em apenas oito dias. O restante do mês necessário para concluir o projeto foi utilizado para levantar os recursos.

Segundo a prefeitura, a qualificação da ponte não pode ser garantida, pois não contou com um laudo técnico que atestasse a sua eficiência diante de questões como o arrasto do rio. A falta de acessibilidade foi outro ponto levantado em nota. Para a comunidade, nada relevante. Finalmente há uma ponte eficiente o bastante para cortar caminhos, como nunca até então.

Casos como estes são mais comuns do que parem. Sem poder contar com maquinário próprio, inúmeros municípios deixam de realizar pequenas obras de reparo ou construção de pontes e estradas vicinais, e os próprios moradores assumem a bronca.

Em Sobral, no Ceará, um grupo de moradores decidiu adiantar-se na construção de uma passagem sobre um “riacho seco”. Durante alguns dias, cerca de 20 homens construíram a passagem, atentando as necessidades locais. Para o gerente de recursos hídricos da Secretária Municipal de Infraestrutura, a solução é um mero “paliativo”, pois apenas a prefeitura poderia dar uma solução definitiva ao local.

Eles juntaram R$ 200 mil e construíram 50 casas para uma comunidade carente.

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A ONG chilena “Teto” existe há quase duas décadas e, desde 2006, desembarcou no Brasil com uma única missão: envolver comunidades e jovens universitários para garantir a construção de moradias de emergência em comunidades carentes por todo o país.

Para este ano, o projeto reuniu 8 jovens universitários em São Paulo, e os desafiou a arrecadar entre suas redes de contato, R$ 200 mil, que permitiriam reformar ou construir cerca de 50 residências.

A meta estabelecida pelos jovens por meio do site de financiamento coletivo “Benfeitoria” foi batida em poucos dias, e as obras devem começar em breve.

Construir uma casa, geralmente destinada a atender a população que vive em moradias improvisadas e residências de lata, custa em média R$ 5,5 mil. A construção das moradias é feita sempre pelos próprios jovens, a exemplo do que já ocorreu na Baixada Fluminense, onde 110 famílias foram impactadas pelo projeto.

Na Bahia, que também conta com a solução, a construção das moradias se deu na chamada “cidade de plástico”, onde boa parte das 300 famílias mora em casas feitas de papelão ou restos de madeira. Foram erguidas cerca de 50 moradias, em um prazo de uma semana.

Em todo o país, são cerca de 6,94 milhões de famílias sem uma residência própria ou vivendo em condições precárias.

A educação comunitária.

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Santa Catarina e Paraná são dois dos estados brasileiros que mais se destacam quando o assunto é qualidade e acesso à educação. Ambos ocupam a 3ª e a 4ª colocação no ranking do IDEB, o “índice de desenvolvimento ensino básico” respectivamente. Ainda assim, os dois estados estão muitas vezes sujeitos à realidade brasileira, onde cada centavo de verba para investimento é quase sempre precária.

Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Unb, a Universidade de Brasília,apenas 0,6% das 194 mil escolas brasileiras possuem qualidade considerada “ideal”.

Esta realidade pode ser presenciada na pequena Indaial, em Santa Catarina. A cidade, vizinha a Blumenau (eleita a cidade com melhor qualidade de ensino do país entre os municípios de grande porte) possui um problema crônico de falta de espaços para salas de aula. Nas escolas da região, salas de informática tiveram de dar espaço a novas salas de aula.

Segundo a Secretaria de Educação, para se adequar a relação de alunos por salas de aula, seriam necessárias três novas salas de aula na principal escola do município. A prefeitura local, porém, alega não haver recursos e não ter como captá-los. A situação foi o suficiente para mobilizar moradores da região que, juntos, reuniram-se para botar a mão na massa e construir as salas de aula.

No caso da cidade de Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná a população foi ainda mais longe. Cansados de percorrer quilômetros de distância em busca de uma escola para estudar, moradores decidiram que as 70 crianças da região deveriam poder estudar ali mesmo na comunidade. Graças a esta iniciativa, nasceu a escola, sem um único centavo de dinheiro público.

A escola paranaense conta ainda com consultórios médicos e odontológicos para atender a comunidade.

Quando cabeças de gado salvam seres humanos.

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Também no Paraná, o pecuarista Milton Barbosa colaborou para chamar a atenção dos habitantes do município de Santo Antônio da Platina para um problema crônico na estrutura do hospital do município.

Após ter de recorrer ao hospital Nossa Senhora da Saúde para acompanhar um parente, o pecuarista se disse chocado com as más condições locais, e por meio de contatos com outros fazendeiros e agricultores locais, além de empresários do município, decidiu levantar os recursos necessários para a reforma de todos os 19 leitos do hospital.

Após questionar o administrador da unidade, Milton acabou descobrindo que os repasses feitos pelo poder público eram suficientes apenas para garantir os medicamentos, insumos e a comida do local. Nenhum centavo sobrava para reparar ou reformar estruturas.

Ao começar a interrogar pecuaristas do município, Milton conta que a maioria tinha receio de quanto a reforma poderia custar. Para a maioria dos que foram contactados a expectativa era de gastar muito dinheiro com a reforma. Segundo Milton, quando ele ia pedir os recursos, costumava sempre apontar dois dedos. Os demais pecuaristas perguntavam-se se ele queria dizer “R$ 2 mil”, no que Milton respondia sempre “não, apenas 2 cabeças de gado!”, e com este espírito, todos os recursos necessários foram levantados em poucos dias.

A reforma do hospital demandou cerca de R$ 6 mil por apartamento. A maioria das doações, porém, foram feitas sob a condição de que os empresários mantivessem total anonimato. Na reforma de 18 apartamentos, 6 enfermarias, cozinha e a capela do hospital, foram gastos menos da metade dos recursos totais repassados anualmente ao hospital. No entanto, como ressalta o administrador do local, todos os recursos estatais que chegam já estão comprometidos com a manutenção. Ou seja, nunca sobra nada para se investir.

Sem o governo, quem irá construir as estradas?

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A ligação entre os municípios de Livramento na Paraíba e Érico Cardoso, na Bahia, foi quase sempre um caminho tortuoso. Não havia estrada conectando os municípios e os distritos mais afastados de ambos, como Canabrava, em Livramento, e Santa Rosa, em Érico Cardoso, ficavam isolados.

Para os moradores do distrito de Santa Rosa, porém, o município de Livramento, com seus 46 mil habitantes, era o grande centro comercial da região, além de passagem rumo à romaria de São Gonçalo.

Para garantir que os municípios não ficassem mais isolados, empresários da cidade de Livramento decidiram se unir e apoiar a construção de uma estrada que, sozinha, reduziu em 50 quilômetros a distância entre os 2 municípios.

Mas a Bahia não é exceção. No Rio Grande do Sul, no município de Erval Grande, as chuvas danificaram a RSC-480, na região norte do Estado. Sem previsão orçamentária para reparar a rodovia ou qualquer expectativa de prazo, o Departamento de Estradas e Rodagem, DAER, não pode liberar a estrada, deixando ilhados os moradores locais.

Como alternativa, a comunidade se reuniu e, com ajuda de doações como diesel e o empréstimo de uma escavadeira, construíram uma nova estrada, passando por dentro da propriedade de um agricultor local.

Segundo o DAER, o órgão está realizando um estudo de drenagem no local. Quanto ao desvio de 1,5 quilômetros realizado pelos agricultores e comerciantes da cidade, o órgão afirma não ter emitido autorização para a obra.

Quando nem o saneamento básico atinge os níveis mais básicos possíveis.

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Poucos problemas são tão unânimes nas cidades brasileiras como a falta de planejamento nos setor de saneamento básico. O problema atinge desde grandes capitais até cidades menores. Cidades ricas ou pobres não escapam a regra e mais da metade do esgoto no Brasil não é tratado, ainda que, segundo o IPEA, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cada R$ 1 gasto em saneamento evite R$ 4 gastos em saúde.

Segundo o ditado popular, “obra de baixo da terra não dá voto”. Com essa mentalidade, muitos municípios postergam a construção de redes de captação de esgoto. Para escapar da morosidade do setor público, moradores da região de Ipase, no bairo de Compensa, em Manaus, decidiram eles próprios construírem a tubulação necessária para a rede de esgoto.

Há mais de uma década a população buscava uma solução para o problema. Segundo um dos moradores, em uma ocasião, técnicos da Secretaria de Obras do Município foram até sua residência realizar obras para desobstruir a tubulação da drenagem. Cavaram um buraco e partiram sem avisar quando voltariam, deixando no local uma acumulação de água e dejetos. O morador alega ter gasto mais de R$ 8 mil para tentar solucionar o problema até agora.

Na rua B, da comunidade, a solução partiu dos próprios moradores que decidiram construir a própria tubulação.

Em Garanhuns, Pernambuco, terra natal do ex-presidente Lula, um grupo de moradores decidiu não mais esperar pela boa vontade da Compesa, a companhia de saneamento do estado, e realizar por conta própria as ligações necessárias para a rede de esgotos. Foram gastos cerca de R$ 1 mil, custeados por 10 moradores.

Movimento Boa Praça

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Alice tinha apenas 4 anos quando sugeriu à mãe realizar o seu aniversário na pracinha do bairro, a praça François Berlanger, na zona oeste de São Paulo. Vendo a praça do bairro completamente abandonada, sua mãe, Cecília, questionou a escolha, afirmando que o local estava “todo detonado”. A resposta de Alice daria origem a um movimento capaz de transformar toda relação entre o bairro e a praça, transformando-o em um espaço de convivência para toda a comunidade.

A resposta? “A gente conserta!”

Cecília, então, propôs à filha trocar os presentes de aniversário pela revitalização da praça e, assim, ambas pediram de “presente”, aos vizinhos, que colaborassem com a ideia – tudo pelo aniversário de Alice.

Após uma única ação, Cecília percebeu que para impedir que a praça retornasse ao que era antes seria preciso que a comunidade abraçasse como um todo a restauração, e realizasse projetos com alguma periodicidade para garantir o principal: a convivência que daria a todos a sensação de que é preciso proteger a praça.

Com este intuito nasceu o “Movimento Boa Praça”.

Em Guabiraba, na zona norte do Recife, moradores contam que sua luta por um espaço de convivência perdurou por anos, até eles decidirem se organizar de forma independente do setor público.

Sem conseguir colocar a reforma da praça local no orçamento participativo e nem sensibilizar as autoridades, os moradores decidiram levantar os recursos entre eles mesmos. Em poucos meses, R$ 15 mil foram arrecadados, entre rifas, doações e materiais de construção.

Nas palavras do morador Alexsandro Vieira, algo muito simples resume a obra:

“As crianças precisavam de um local para brincar, a prefeitura não fez, a gente foi lá e fez.”

E assim se repete o espírito comunitário ao redor do país. Se os governos são ineficientes, a própria população dá conta do recado.

E se você tem uma história parecida com as citadas acima em sua comunidade, nós teremos o maior prazer em conhecê-la e relatá-la aqui. Aguardamos pelo email e a sua história através do contato@spotniks.com.

fonte: http://spotniks.com/12-vezes-em-que-a-populacao-nao-dependeu-do-governo-para-fazer-grandes-obras-publicas/

 

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